Antes
Uma menina cheia de luz.
A Priscila sempre foi a alegria de casa. Adora desenhar princesas, dançar ballet às quartas-feiras e brincar com a irmã, a Inês, de 3 anos.
Em dezembro passado, fazíamos planos para o Natal dela: uma boneca grande, uma bicicleta nova e uma viagem ao jardim zoológico. Nada fazia prever o que estava para acontecer.
O diagnóstico
Em janeiro, ouvimos a palavra que muda tudo: cancro.
Começou com dores na barriga, cansaço fora do normal e perda de apetite. Pensámos que era uma virose. Depois vieram as análises, a ecografia, a TAC. E finalmente, no IPO do Porto, o diagnóstico: neuroblastoma estágio 4.
O neuroblastoma é o tumor sólido extracraniano mais comum em crianças. No estágio 4, já há metástases noutros órgãos — no caso da Priscila, na medula óssea. O tratamento é longo, intenso e caríssimo.
A luta
Quimioterapia, cirurgia, transplante e imunoterapia.
O protocolo de tratamento é dos mais agressivos da pediatria oncológica. Já começámos a quimioterapia em fevereiro. Vão seguir-se: cirurgia para remover o tumor primário, transplante autólogo de medula óssea e imunoterapia com anticorpos monoclonais (o famoso "dinutuximab beta") — este último não totalmente comparticipado pelo SNS.
O João, o pai, teve de pedir licença sem vencimento. Eu deixei de trabalhar para acompanhar a Priscila no hospital. Os custos pessoais e médicos somam-se. E a Priscila continua a sorrir, todos os dias.